Uma outra visão à aprendizagem

E se direcionarmos todas as estratégias, planejamentos e esforços à aprendizagem?

E se dermos aos alunos todo o protagonismo para que finalmente sejam colocados no epicentro do processo ensino-aprendizagem?

Por que não aproveitar a pandemia e a proximidade do pós-pandemia – ambos momentos que, apesar de indesejados, abrem margem à inovação – para realizar as mudanças e alterações de rotinas institucionais que permitam melhor descobrir, incentivar e explorar as potencialidades de cada um dos alunos, propiciando mais autonomia, senso crítico individual e independência na formulação e busca por respostas?

Pode que agora, no presente momento de incerteza social e institucional, surja a oportunidade de diminuir o protagonismo dos professores em favor de maiores espaços para atividades e possibilidades de produção e criatividade dos alunos, o que significaria um passo definitivo a uma gestão dinâmica e pós-moderna da tradicional maneira de formar profissionais no país.

A pandemia trouxe um despertar à consciência que os nossos alunos são sim capazes, mais do que acreditamos, de estudar, pesquisar, fazer e resolver sozinhos. Eles demonstraram que o papel do professor pode ser diminuto em favor de maiores espaços para seu próprio agir, o que permite inferir que chegou a hora de mais aprendizagem e menos ensino.

Junto com esse imperativo de mudança parece evidente que se deve alterar para o pós-pandemia a forma das aulas e dos meios utilizados para o ensino. Com efeito, se priorizarmos a aprendizagem, haverá a diversificação dos tipos de aulas, assim, levando aos alunos a diversificar as formas de aprendizagem.

A aprendizagem virá como resultado não apenas do ensino, senão e especialmente pelo protagonismo dos alunos, seu compromisso com a própria evolução profissional e a identificação e consciência das metas formativas a atingir em cada período. O ensino sério e comprometido tem toda relevância, é claro, porém na aprendizagem é que está a garantia dos maiores resultados e da excelência.

Então, o que fazer de diferente? Pôr o processo formativo em função das necessidades dos alunos e das exigências profissionais que o mercado apresentará para eles, ademais de dar mais espaço para que descubram suas potencialidades. É nosso papel enquanto educadores sermos a ponta do iceberg do crescimento profissional e pessoal dos alunos.

*Angel Rafael Mariño Castellanos é doutor em Direito pela Universidad de Oriente de Santiago de Cuba/Cuba (1996), revalidado em 2001 pela Universidade de São Paulo-USP/Brasil. Docente em nível de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado em Universidades e Instituições de Ensino Superior Brasileiras e Estrangeiras. Autor de artigos, capítulos de livros e livros. Tem vasta experiência em administração universitária e no planejamento e desenvolvimento de instituições educacionais. E-mail: [email protected]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *