Quem são os rostos no tabuleiro eleitoral?

O Jornal A Gazeta publicou uma lista com possíveis pré-candidatos aos principais municípios da região metropolitana de Vitória. Alguns rostos conhecidos, outros menos expressivos.

Começo hoje a acompanhar e analisar a corrida eleitoral fazendo um posicionamento político e ideológico dos nomes apresentados.

Cariacica é um município que traz características muito peculiares: tem uma profunda lacuna social a ser resolvida, ao mesmo tempo uma elite oriunda de imigrantes italianos que vivem do comércio, uma área rural imensa e um polo industrial. Tem até uma vocação progressista, mas como todo o ES, também tem na política uma condução muito próxima aos interesses de grupos religiosos.

Os pré-candidatos da direita são: César Lucas, Celso Andreon, Euclerio Sampaio, Marcelo Santos, Joel da Costa, Sandro Locutor e o Subtenente Assis. Lucas, Celso e Marcelo estariam mais para uma centro-direita e, desses, Marcelo Santos é o favorito pelo seu histórico familiar com o município. Euclerio Sampaio vem representando o DEM, partido das tradicional oliigarquias brasileiras. Político forte no ES, mas tenho muitas dúvidas se tem força para o executivo. Joel, Locutor e Assis representam a direita mais conservadora, flertando com o bolsonarismo – no caso de Joel e Assis, incorporando a lógica bolsonarista para o município.

Do centro para a esquerda temos: Marcos Bruno, Professor Saulo, Nilton Basílio e a Professora Célia. Marcos Bruno é o candidato da Rede que menos se parece com o perfil desse partido. Pelo contrário, representa muito bem um político classificado como “centrão”, mas fez seu nome em alguma regiões de Cariacica e já foi deputado. Professor Saulo e Nilton Basílio não tem tanto peso, mas vem inseridos em partidos que querem muito marcar posição (PSB e PDT, respectivamente) em praticamente todos os municípios. Não creio que ambas as candidaturas se efetivem e, muito menos, que tenham força. Professora Célia, do PT, foi um nome de última hora do partido. Esperava-se ou Helder Salomão ou o vereador André Lopes. Tanto Helder como André teriam mais chances eleitorais, mas talvez preferiram não arriscar uma derrota. A professora Célia é um dos melhores quadros do PT, mas duvido muito que consiga herdar todos os votos de Hélder e de André e, o pior, reverter a ideologia do antipetismo que como paira forte pelo ES.

A Serra é um município que nos últimos anos têm recebido muitos empreendimentos imobiliários, o que tem atraído uma novíssima classe média para lá. Essa nova parcela da classe média é muito ligada a uma espécie de ética calvinista, muitos estão na primeira geração de formados em universidades e a influência de religiosa ainda é grande. Ao mesmo tempo, o município convive com o paradoxo social de áreas carentes e dados elevados de violência. Receita ideal para candidatos conservadores – sobretudo agora, que o município é gerido por um progressista de centro, naturalmente desgastado.

Mais à direita aparecem: o apresentador sensacionalista Amaro Neto, Vandinho Leite, delegada Gracimere, doutor Peixoto, Luciana Malini, Xambinho e o ex-goleiro Mão. Pelo seu estilo à Datena, e pelo partido que representa, muitos pensam que a maior expressão do Bolsonarismo é Amaro, mas não se iludam. Ainda que o apresentador tenha pitadas desse estilo Bolsonarista, muitos o colocam como tutelado do ex-governador Paulo Hartung. Vem como um dos favoritos. Vandinho e Xambinho são deputados, logo são candidaturas possíveis e até fortes. Ambos flertam com bolsonarismo também. Até mesmo Vandinho, apesar de estar no PSDB. Peixoto, Luciana, Gracimere e Mão são menos prováveis, ainda que a delegada Gracimere possa surfar essa onda crescente da chamada bancada da bala.

No centro, indo até a centro-esquerda temos: Duarte, Bruno Lamas, Sérgio Vidigal e Fernanda Souza. Vidigal é o favorito. Apesar de um município com as características que falei acima, Vidigal aprendeu a dialogar com ele. Já foi prefeito e sua esposa também é atuante na política local. Vem com mandato de deputado e com um partido que tem projeto, o PDT. Possivelmente a polarização será entre ele e um candidato do campo da direita (suponho Amaro). Lamas é um outro bom nome progressista. Julgaria mais inteligente o PSB compor com o PDT de Vidigal. Duarte vem pela Rede, partido do atual prefeito, mas que agora não vejo com real possibilidade de vitória nesse município – principalmente se for mantido nome de Duarte. Fernanda é um quadro interessantíssimo do PT e, certamente, qualificada. Sofre entretanto c/ o estigma imputado ao partido que, está lançando nomes para sua reconstrução.

Vila Velha promete ser briga de facas nesse ano. Um ex-prefeito, o atual prefeito em reeleição, um movimento bolsonarista fortíssimo, um deputado federal com mandato. Tradicionalmente, VV costuma ser ainda mais conservadora que Vitória, sua gêmea, então não se espantem se Lovato, apesar de desconhecido, tiver um caminhão de votos. Ele não só é da executiva do PSL, como é um dos articuladores dos movimentos pró Bolsonaro no município. A direita, um pouco menos extremada, também contará com Dalton, pelo NOVO, Arnaldinho Borgo, vereador extremamente popular e Hudson Leal, que é deputado estadual. Hudson é relator de projeto de lei que regulamenta desconto sobre mensalidades escolares. O que pode parecer um trunfo é uma armadilha, pois isso trará um caos ao mercado de educação capixaba.

Ainda na direita, mas ao centro, temos o atual prefeito, Max Filho e o ex-prefeito Neucimar. O atual prefeito parece não existir na cidade durante a pandemia. O ex tem muito apoio da ala evangélica mas que nesse ano deve rachar devido ao apoio ao bolsonarismo. Além deles, Dr Hércules, também deputado, vem mais uma vez com chances por manter projeto social de caráter populista que lhe traz muitos simpatizantes – além da estrutura do MBD.

A centro-esquerda vem com Chiabai, que não vejo com possibilidade de emplacar candidatura e Ferreira Neto, folclórico jornalista que pode vir pelo PDT. Não sei até que ponto ele domina a carga de discussão pedetista, mas pode vir por um viés mais populista que é bem peculiar no município canela-verde. Ted Conti, pelo PSB, seria um nome forte, mas tem feito um mandato muito apagado em Brasília. Rafael Primo, pela Rede, é o sopro de juventude progressista que aparece. Deve emplacar candidatura, mesmo sem chance efetiva e um currículo  equivalente ao cargo pleiteado. Nunes, do PT, um grande nome e com experiência. Carrega entretanto o fardo deixado pelo antipetismo que em VV é fortíssimo. Vem para marcar posição, decisão do PT para todo país.

Na capital, o campo da Direita traz Assumção, Pazolini, Felix, Neuzinha e Nilton. Comprovando a vocação conservadora de Vitória, a maioria dos candidatos. Neuzinha e Félix se enquadrariam numa centro-direita. Nilton uma direita (neo)liberal. Assumção, Pazolini, uma extrema-direita bolsonarista

Nilton, Assumção, Pasolini, são policiais e surfaram a onda do enaltecimento da bancada da bala. Dificilmente Pazolini e Assumção sairiam separados, pois rachariam os votos bolsonaristas, com ampla vantagem ao capitão. Nilton, apesar de PM, diverge do Assumção e está no NOVO. Desde o motim da PM de 2017, a categoria está rachada, mas a maioria é Assumção, sobretudo entre os praças.

O campo do Centro vem com Gandini – o homem do atual Prefeito – e Mazinho. Como típicos políticos de centro, são pragmáticos. São capazes de flertar com políticas públicas de qualquer esfera ideológica, à direita ou mais progressistas, conforme a conjuntura lhes exigir.

No centro-esquerda temos: Coser, Roberto Martins e os pré-candidatos do PSB (Sá ou Majeski). Vejo mais possibilidade do PSB compor com Luciano Rezende, mas caso venha de fato, Sérgio Sá tem mais força dentro do partido, já que Majeski não é psbista orgânico. Coser apenas marca pé, pois o PT dificilmente vencerá e sabe disso.

Apesar da primeira gestão Coser ter sido relativamente boa para a cidade, o PT nada com o intuito de manter sua hegemonia no campo progressista.

A opção progressista mais viável, até pelo mandato que vem fazendo, é de Roberto Martins, que desponta como nome promissor do progressismo. Vai enfrentar os desafios de ser um progressista em uma cidade extremamente conservadora e numa época de onda conservadora. Além, é claro, de eventuais convenções partidárias que dificultem sua candidatura.

No fim, possivelmente teremos uma candidatura bolsonarista só. Uma do PSDB e PT para marcar posição. O candidato do prefeito atual. Quem sabe um novo nome progressista que, a meu ver, deve receber de nós a maior atenção.

Em geral, o cenário aponta para disputas entre direitas e centros, com as esquerdas compondo com alguns centros ou apenas marcando posição. Dentro do que se apresenta momentaneamente, é provável o crescimento da onda conservadora por aqui, por mais que ela esteja em início de declínio no mundo e até em outras regiões do país.

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