#Opinião – Rio de Janeiro é a vanguarda do mundo

O verbo está impróprio. Mais adequado seria empregá-lo no pretérito perfeito.

Se hoje, a crise fiscal e ética grassa a sociedade carioca, tornando-a uma barafunda sem fim, há exatos cem anos, a antiga capital federal era o centro das atenções no mundo. Imagine você, cidadãos cosmopolitas lânguidos até a medula desejando respirar os ares da maresia tropical.

Isso não quer dizer que o grand monde parisien ou a New York high society não ditavam a moda, as artes e a sofisticação do savoir-vivre. Contudo, o Rio era o paraíso perdido em que tudo podia acontecer.

O mundo já presenciara: cinema, eletricidade, automóvel, avião, teoria da relatividade, fascismo, feminismo, futurismo e outros ‘ismos’.

Em 1920, o Rio tinha 15 jornais diários. A palavra, em qualquer formato, era a principal matéria-prima. Ilustravam o cenário, os escritores: João do Rio, Lima Barreto, Coelho Neto, Álvaro Moreira etc.

A metrópole brasileira também estava habituada a hospedar o poder. Dentre os governantes: um rei e dois imperadores, sem falar nos presidentes que a República havia tido até então.

A veia sarcástica não evitava os apelidos e caricaturas. Até 1910, o Rio já tinha sido palco de três invasões e quatro revoltas. Em todas elas, o povo carioca se viu no meio do fogo cruzado. Por sorte, o Rio já tinha, desde 1835, o Carnaval.

Foi também no Rio que se mudou a maneira de se vestir e despir. As mulheres puseram abaixo suas tranças e passaram a ter cabelos curtos à la garçonne. As saias subiram e veio o revolucionário decote em vê, criado em Londres, em vão combatido pelos moralistas.

Pois bem, as saborosas histórias do Rio na década de 1920 podem ser flagradas no recente livro ‘Metrópole à Beira-Mar’. Aproveitem e carreguem-no à praia.

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