#Opinião – O incentivo à abstinência sexual como método contraceptivo

Essa ação não trará nenhum efeito que se deseja. A orientação e educação, visando às mudanças comportamentais na expressão da sexualidade, são da alçada da família ou da escola. A família, com seus valores e crenças, é que poderá educar e convencer o jovem ao melhor método contraceptivo. A escola, com programas de educação sexual, ensina ao jovem a higiene, a prevenção de doenças e gravidez. Lamentavelmente, essa última tem sido proibida por segmentos de nossa sociedade a expor tais conteúdos.

Desde muito tempo, as igrejas cristãs pregam a abstinência como prevenção. E gerações de filhos nasceram nessa crença, mostrando que não funciona. Se funcionasse, não teríamos a densidade demográfica de hoje. Os pais é que precisam ser sensibilizados pelo amor aos filhos e conversar, ensinar e orientar o uso de métodos seguros, bem como explicar a importância da abstinência e o que se pode fazer com a outra pessoa caso não se consiga evitar os contatos. Muitas caricias podem acontecer sem os riscos nefastos. Mas os pais têm vergonha, não gostam desse assunto, e eles próprios também não casaram virgens, mesmo pertencendo a crenças religiosas. Estimularemos o sexo escondido e assim aumentará ainda mais as estatísticas que querem evitar. Há estudos sobre isso.

A abstinência sexual, entendida e escolhida pelo jovem, não traz nenhum mal à saúde, fará sexo com ele mesmo e terá a pressão social em ser diferente da maioria. No celular, centenas de sites, aplicativos de sexo, são de fácil acesso a todo momento. Iremos proibir a internet, como nos países totalitários? A consciência dele é que trará a abstinência. Recebo pacientes, homens e mulheres pertencentes a igrejas cristãs que pregam a abstinência, e que eles por burlarem a proibição apresentam forte sentimentos de culpa, problemas sexuais como falta de desejo, perda eretiva e dores na relação sexual. Muito sofrimento por querer agir, sentir e ser diferentes dos controles dos dogmas.

Educação é tudo para atingir melhorias sociais, saúde e construir caminhos mais felizes.

*Carlos Boechat Machado Filho é psicólogo (UniCEUB – DF) e sexólogo (Universidade Gama Filho – RJ). Mestre em Psicologia Social (UFES). Psicólogo clínico há 37 anos. Terapeuta de casais. Trabalha com educação sexual em escolas das redes públicas e privadas.

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