#Opinião – O Chile é o Brasil do futuro

Na última semana o Chile explodiu. Sexta-feira, 24, um milhão e duzentos mil chilenos tomaram Santiago, erguendo bandeiras mapuches do Consejo Todas las Tierras, dispostos a enfrentar o aparato policial dos carabineiros. Piñera, que inicialmente havia declarado guerra ao povo, retrocedeu e agora pede desculpas e solicita que os ministros entreguem os cargos. Além disso, prometeu ainda algumas ações sociais.

Todavia, o problema do Chile começou em 11 de setembro de 1973, quando as elites chilenas e estrangeiras impeliram o exército de Pinochet ao golpe de Estado que paralisou o projeto de emancipação social promovido por Allende, levando milhares de chilenos e chilenas à morte, à tortura e ao exílio.

Escolhida como laboratório de testes, a Escola de Chicago, capitaneada por Milton Friedman, testou no Chile o novo liberalismo econômico, pautado na retórica do Estado mínimo e garantindo que isso asseguraria o crescimento econômico pelo viés do mercado, caso o Estado não representasse uma âncora à atividade burguesa.

Privatizou-se tudo no Chile. Direitos trabalhistas suprimidos sob a lógica de tirar o peso do empreendedor. O Chile cresceu, mas para as classes médias altas e para os ricos.

O povo do Chile se levanta hoje contra aquilo que a população brasileira está pedindo.

O discurso neoliberal é disseminado ideologicamente pela imprensa e pelos algoritmos da internet, como expliquei em meu livro “A História que a Gente Viveu: das Jornadas de Junho à Eleição de Bolsonaro”.

Hoje pedem que “privatizem mais” até funcionários públicos e alguns alunos de universidades federais.

O neoliberalismo jamais foi vitorioso em nenhum país cujas demandas sociais são grandes. Aplicado nos EUA de Reagan, na Inglaterra de Thatcher , na Alemanha de Köhl, o liberalismo já encontrava sociedades cuja distância entre ricos e pobres era menor e a infraestrutura social adequada.

Ademais, a privatização nas periferias serviu como forma de nossas economias serem apoderadas pelas potências como uma espécie de acumulação primitiva do capital, mascarada pelo discurso da liberdade.

Dos chilenos lhes tiraram tanto que lhes tiraram o medo. Para nós, prometeram o Chile. Que venha!

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