O imperativo da dinamização da gestão institucional

Quais resultados podemos esperar para a formação de nossos jovens, filhos e estudantes em geral, no contexto das bruscas mudanças nos ritos institucionais que o COVID-19 deixou e que se perpetuarão pós-pandemia?

No momento, tudo parece incerto. A pouca previsão sobre uma catástrofe na saúde nacional e mundial não possibilitou o preparo dos setores e âmbitos da vida social. Sem estratégias de enfrentamento ficamos indefesos, razão a qual não existe ainda plano de recuperação.

Se há uma esfera onde os danos são profundos e arrasadores e os resultados de gravidade ímpar é a educação. As instituições de ensino foram surpreendidas pela necessidade repentina e urgencial de fazer alterações na rotina institucional e, por consequência, em todos os processos formativos, com destaque especial ao processo ensino-aprendizagem. Documentos principais que definem a “personalidade institucional” ficaram obsoletos e longe de orientar o trabalho. Logo, as ações tornaram-se limitantes. E então? Como enfrentar uma realidade institucional tão drástica, com efeitos que atingem desde matrículas, rematrículas, níveis de inadimplência e evasão até o interesse e segurança dos alunos?

Até mesmo os mais experientes e dedicados professores “acordaram” com uma situação não prevista nos Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), Projeto Pedagógico Institucional (PPI), Projeto Pedagógico de Curso (PPC) ou nos próprios planos de ensino que guiam o magistério. Tampouco sua formação pedagógica e sua didática ofereceram saídas para convergir sua rotina presencial em ensino à distância e digital. Como a maioria das Instituições de Ensino Superior (IES) não oferecem cursos na modalidade EAD, muitos professores ficaram sem referencial, apoio institucional suficiente e espaços de socialização de experiências. Claro, merecem destaque as IES que souberam recontextualizar suas práticas institucionais, pedagógicas e didáticas, colocando em prática de modo célere o “novo normal” institucional, com medidas emergenciais que poderiam ser consideradas extremas, mas o mérito foi não ficarem inertes.

A realidade esteve e ainda está exigindo adaptação das IES, direções, coordenações, professores, ademais dos próprios alunos, inseguros e desesperados no aguardo do retorno à normalidade. Alunos de cursos de modalidade presencial ficaram atordoados em meio a esse torvelinho pois, subitamente, o cotidiano de estudos foi interrompido e, sem aulas, professores ou colegas, o ambiente tornou-se indefinido. Regra geral, não foi priorizado o atendimento aos alunos, não surgiram programas de adestramento para a nova modalidade, nem muito menos ações visando o diagnóstico do nível de aprendizagem antes, durante e depois da pandemia, ou o acompanhamento da evolução dos discentes e o necessário nivelamento. Terrível a eles mais que aos demais atores.

Nesse ponto ainda está a maioria das instituições. Todos torcendo para a pandemia passar, a vacina aparecer, estar disponível e acessível, para então voltarem as aulas presenciais e todo o cotidiano institucional e formativo. Veja, lamento ser portador de má notícias, mas: é um processo demorado e sem previsões concretas. E agora?

Quem deve guiar os passos de todos?

Claramente, pensa-se no Ministério da Educação e Conselho Nacional de Educação, que, pelo seu papel diretivo nacional seguem sendo os maiores referenciais na matéria e que, mesmo timidamente, vêm orientando, editando atos normativos e se fazendo presente. Pessoalmente, defendo que os atores principais no enfrentamento dessa realidade de “novo normal” institucional são os Núcleos Docentes Estruturantes de cada curso, sob a batuta de diretivos superiores da IES das áreas pedagógicas, de extensão, de pesquisa e de administração, para, em conjunto tomarem as decisões necessárias para evitar os maiores impactos negativos sobre o processo formativo-educativo, que é de responsabilidade das instituições. Acredito na urgência da dinamização da gestão institucional e a realização das ações de salvamento.

*Angel Rafael Mariño Castellanos é doutor em Direito pela Universidad de Oriente de Santiago de Cuba/Cuba (1996), revalidado em 2001 pela Universidade de São Paulo-USP/Brasil. Docente em nível de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado em Universidades e Instituições de Ensino Superior Brasileiras e Estrangeiras. Autor de artigos, capítulos de livros e livros. Tem vasta experiência em administração universitária e no planejamento e desenvolvimento de instituições educacionais. E-mail: [email protected]

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