LITERATURA: A MÁSCARA DO PODER

AUTOR: Edilmar Amaral

Sustentamos que a recorrência da multiplicação das máscaras para apagar o rosto, assim como a íntima relação entre linguagem e pensamento, a qual se desdobra, em artigo sobre Nietzsche, nos termos do sacrifício genealógico do sujeito de conhecimento, é sinal de que Foucault estaria se apropriando de certos elementos do pensamento literário que lhe interessavam na década de 1960. A década de 60 fora muito boa para o desenvolvimento da literatura. Todo o mundo respirava o que já tinha e estava sendo feito. Literatura é arte da palavra, mas pode, usando uma máscara se fazer Teatro, Cinema. A máscara do Poder. Aí está presente. E revê todos os críticos modernos como Foucault. Não só ele. Sartre e a magia que o envolvia como mito do seu tempo e a filosofia por ele versada. Mesmo vivendo numa época muito frugal que tem a atualidade como parâmetro, não devemos esquecer os gregos, de onde saíram todos os pensamentos que questionamos em nossos dias e em todos os tempos. O filósofo olha o que está ao seu redor para tentar entender o nu da realidade. E assim, caminhando neste entendimento, ele traz dentro do seu conhecimento de todos que até aqui limaram as palavras e todos pensamentos para se entender o nu. A Literatura consegue captar e drenar esse pensamento atualizado pelo status quo. Nietzsche com seu furor na escrita e no pensamento, chamou para si os pensares que flutuavam naquele tempo. O Tempo vai e volta. É esse movimento que nos faz escrever o ontem, o hoje e o amanhã. E todos tem um frescor de sabor. Clarice Lispector, uma escritora que pensa o mundo de modo particular, nos leva “ao instante já” da obra literária. As personagens que criou saíram da ficção e tomaram o real. Ana – personagem do conto Amor, onde a artista define-a como de classe média, faz parte da obra Laços de Família. O texto faz uma leitura psicanalítica da maioria da sua pureza poética. Em A Hora da Estrela, Macabéa e Olímpico de Jesus, a escritora nos mostra o Nordestino no Rio de Janeiro, criando um conto de fadas às avessas, com o fluxo da linguagem que é seu motor criativo. A autora nasceu na Ucrânia, e em 1922 vem para o Nordeste, Maceió – Alagoas e essa obra espelha este universo. Freud, Jung, Lacan, pensadores que tem o pensamento como descobrimentos do modo de pensar o homem. Todos entrelaçam esse jeito de camuflar no cérebro o que é linguagem e ir sendo aceito aos poucos pelo “momento”. A genialidade aí, também, está. Guimarães Rosa e o resgate da palavra em toda a sua obra busca o coletivo. Mineiro, mas que faz parte do coletivo de qualquer lugar, é belo, “esmiuçadinho” e serve a todos. Somos todos assim. Grande nas Letras, no Pensar e no Escrever é Machado de Assis. O que escreve palpita em nossas mentes e corações. Capitu é sua personagem mais bela; é uma incógnita, não a conseguimos decifrá-la. Bentinho passa todo o livro Dom Casmurro pensando, tecendo, observando, para descobrir se Escobar teve um caso com Capitu. E não chega a lugar algum. Vemos que o pensamento e tudo que nele pode estar é manifestação de qualquer ser. Euclides da Cunha escreveu no livro Os Sertões: o sertanejo é um forte. Quer coisa mais atual, para os dias de hoje? 6ª década do século XX, Augusto Campos e Haroldo Campos surgem com uma nova forma de escrever e mostrar o poema produzido, chamado Concretismo. Desestruturou o já estabelecido, porém sobrevive através de poetas. Um deles, Arnaldo Antunes na sua obra Bio, e não só essa, manifesta a presença do Concretismo. Então, vemos no início deste Ensaio os filósofos na disputa do pensamento como única forma de expressão. E findamos com a certeza de que tudo pode ser refeito e repensado. E será.

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