Eleições municipais – um reflexo do cenário nacional

A História é a ciência que analisa as ações humanas ao longo do tempo. Não repetir os erros do passado! Esse é o objetivo da História enquanto ciência. Todavia, a História do Brasil registra inúmeras descontinuidades constitucionais e repletas permanências do ponto de vista do status quo.

Como escrevi em meu último livro, “A História que a Gente Viveu – das jornadas de junho à eleição de Bolsonaro”, estávamos com uma impressão socialmente constituída que, desde o impeachment de Collor, as instituições brasileiras estavam funcionando acima da possibilidade de instabilidades constitucionais, rupturas ou golpes.

O ledo engano.

De 2013 até agora, desfilamos caos e exibimos o puro sumo de nossa latinoamericanidade.

O desgaste dos modelos de Estado implementados pelo PSDB e pelo PT – que eram diferentes na sua essência, mas ambos dialogavam bem com as instituições democráticas e o presidencialismo de coalizão – foi uma consequência do domínio dessas duas legendas do cenário eleitoral pós-redemocratização. Especialmente no caso de PT, que representava uma esperança de uma transformação estrutural do país, por suas origens na esquerda, houve um afastamento da burocracia do partido com os anseios da base e de grande parcela da população. As oposições conservadoras de tradições coloniais, com forte apoio estrangeiro do grupo liderado por Steve Bannon, aproveitaram-se de casos de corrupção debelados na Petrobrás para construir uma nunca antes vista campanha midiática de desconstrução de um partido, o que culminou no sentimento antipetista fortemente estruturado, sobretudo na classe média.

Em decorrência, todo o processo que vai do impeachment até a eleição do desastroso Bolsonaro, flerta direta e indiretamente com várias permanências de padrões de instabilidades existentes na História do Brasil.

O que esse Brasil vai refletir nas eleições municipais?

No último dia 27 de julho, participei de uma live no Instagram com o vereador de Vitória e pré-candidato a prefeitura da capital, o professor Roberto Martins, na qual analisei quais são as minhas impressões da influência da política nacional nas eleições municipais.

As eleições municipais refletem a popularidade ou impopularidade do governo federal. Além disso, criam bases para a implementação de políticas oriundas do governo federal nas cidades. Geralmente, as eleições municipais são pautadas em uma visão política mais localista e pragmática, todavia, esse ano creio que serão fortemente ideologizadas. A relação com a pandemia é um vetor. Com o governo federal se posicionando contra as medidas de isolamento protagonizadas por prefeitos e governadores, os grupos políticos municipais irão se pautar nessas narrativas. Além de que o aumento de nossa estadia coletiva no plano virtual facilita a ação de grupos que possuem estrutura de atuação nas redes – lícita ou ilicitamente.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *