#Opinião – É o socialismo uma “ameaça” real?

Existe uma ameaça real de implantação do socialismo na tão disputada América Latina?

Simples: não.

A História não se repete. E quando se pretende repeti-la, torna-se uma comédia.

O socialismo pressupõe partidos comunistas ou socialistas cujos pilares ideológicos e estratégicos são o marxismo, o fim da propriedade privada como motor econômico fundamental, a progressiva eliminação das classes sociais e, especialmente, a tomada do Poder pelas classes trabalhadoras.

Olhar o universo latino-americano, analisar as lideranças e costumeiros comportamentos no exercício do Poder e inclusive os programas e fisionomias dos partidos políticos, nos gera dúvida sobre sua orientação socialista real e se existe o propósito de direcionar as sociedades ao socialismo.

A perpetuação no Poder por parte de um indivíduo, famílias ou um reduzido grupo nada tem a ver com a liderança de um partido comunista e um projeto de construção do socialismo. O que acontece na realidade são governantes autoritários que encobrem ambições pessoais numa narrativa socialista. Dominam partidos por meios truculentos para sustentar até a morte a liderança do “grande líder”. Imobilizam a oposição, extremismo que chega a negar espaço a correligionários que pensam diferente. Esse roteiro não está escrito em parte alguma e não foi proposto por nenhum teórico.

Uma sociedade controlada por líderes, famílias, grupos e partidos políticos que se declaram socialistas ou populares não deve ser associado ao socialismo, sob pena de convivência com ditadores e ditaduras.

Os panoramas políticos de Cuba, Nicarágua, Venezuela e Bolívia não tiram o sono de quem sabe que as transformações condizentes à derrota do capitalismo não existem, não se iniciaram e nem iniciarão.

Parece-me que o erro corriqueiro de identificar a “esquerda” com o socialismo está prevalecendo. Claro, entendendo neste contexto “esquerda” como o grupo que define por pautas principais aquelas relacionadas à área social.

É possível ser de “esquerda” sem ser socialista. Não estaria errado em assumir que também seja possível ser socialista sem ser marxista.

Temer a esquerda em sociedades capitalistas juridicamente civilizadas é como temer a “direita” em sociedades “socialistas”. O capitalismo democrático demonstrou ter capacidade para admitir a existência, participação política e representação até mesmo de partidos socialistas e comunistas. Em razão disso, é superior a outros regimes onde não se tolera a existência (participação e representação) de partidos de oposição.

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