COVID-19: um estado de calamidade – estado de guerra

Em um trecho de um discurso da rainha do Reino Unido, ela diz: “[…] mas agora, mais do que em qualquer momento do passado mais recente, todos nós temos um importante e vital papel como indivíduos – agora e nos próximos dias, semanas e meses”. Portanto, pode-se inferir que a pandemia vai além do que se pode pensar. A China descobriu o surto em novembro de 2019. Isso significa que há cinco meses se luta contra um inimigo muito forte, capaz de dizimar um número incalculável de pessoas no mundo em um curto período de tempo.

O que a rainha quis dizer é que teremos um cenário econômico, político, social e cultural pior do que a II Segunda Guerra Mundial. Pois o inimigo não é um escopo concreto como antes. O inimigo agora vem de uma ordem superior a qualquer poder econômico instituído. A prova é que a Covid-19 destruiu todas as bases do sistema capitalista hegemônico, como na Alemanha, Estados Unidos, China, França, Rússia e, principalmente, na Itália. Algo estarrecedor, nunca imaginável na história da humanidade, provocando um abismo mundial sem precedentes.

Com efeito, a Covid-19 está deixando um abismo em todas as áreas da sociedade mundial. O fato é incontestável, tanto no que diz respeito ao número de infectados como na quantidade de óbitos, com maior número na Itália, seguida da China. Mas, diante dessa lastimável peste, podemos assim dizer, de que maneira o mundo, por intermédio de suas autoridades, se posicionará em um contexto pós-coronavírus?

No contexto brasileiro, o governo federal e as administrações estaduais e municipais vêm tomando decisões para conter o avanço da doença. Essas decisões são importantes no que concerne ao decreto que manda fechar estabelecimentos cujas atividades não são consideradas essenciais.

Contudo, há decisões equivocadas, como autorizar o estado a confiscar os estoques de produtos de saúde de empresas privadas, com intuito de montar hospitais de campanha, fato ocorrido em Alagoas conforme publicado no portal Gazeta Web. Isso só confirma que o estado não se preparou para combater o coronavírus. Já no contexto do governo municipal, a prefeitura de Maceió deixou alguns postos de saúde sem água em plena ascensão da Covid-19.

No que diz respeito ao governo federal, as Medidas Provisórias (MPs) que estão sendo editadas e publicadas configuram um dispositivo fundamental para equilibrar o mercado financeiro do país, em especial no setor empresarial das grandes corporações. O volume de capital financeiro disponibilizado pelo governo a fim de diminuir a fratura dessas empresas, provocada pela pandemia, pode equilibrar as contas do patronal. Entretanto, percebe-se que tais MPs não fornecem seguridade e equidade para quem mais precisa e sofre com a perda dos salários e com os efeitos do coronavírus: a classe trabalhadora.

Nesse sentido, podemos compreender que a política econômica adotada pelo governo federal para combater a crise econômica e, por que não dizer, o abismo financeiro que a pandemia de Covid-19 trouxe para o Brasil, confirma que o país não dá suporte financeiro suficiente para os mais pobres. O valor em dinheiro oferecido para os trabalhadores informais cadastrados junto ao Cadastro Único do governo não chega a 10% do salário mínimo, ao passo que as empresas terão isenção de impostos e, o mais grave, os empregados poderão ficar sem trabalho e sem salários durante quatro meses, talvez mais.

Portanto, o que presenciamos no Brasil é uma política econômica que age na contramão de outros países, os quais também sofrem com os efeitos da pandemia. Contudo, o mundo terá de rever seu modelo de gestão pública. É premente uma melhoria do sistema de saúde e dos hospitais, sendo que, no caso brasileiro, a situação é bem pior, pois, antes mesmo da pandemia, já faltavam insumos básicos para atender a população, e agora a situação se agravou exponencialmente. Abriu-se um abismo político, social e, principalmente, econômico no mundo.

Vivemos um estado de calamidade. Estado de Guerra. E, diante desse contexto, será que o mundo, a partir dos efeitos irreparáveis da Covid-19, precisará de uma autoridade única, capaz de lidar com todos os aspectos envolvidos, ou seja, políticos, econômicos e religiosos? Ora, refletindo numa perspectiva teológica e escatológica, é possível que a humanidade seja comandada por um líder de caráter global. Afinal, as consequências do coronavírus em nível mundial criaram um cenário propício para o surgimento de tal líder.

(*) Márcio A. C. dos Santos é bibliotecário-documentalista. Desenvolve trabalhos na área de Responsabilidade Social. Tem interesse nas áreas de biblioteconomia, inclusão digital, redes sociais e tecnologia da informação.

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