A tecnologia como arma para vencer a pandemia

No conhecido confronto bíblico entre Davi e Golias, Davi vence o gigante Golias, que lhe era superior em força e tamanho, com uma pedrada, ademais de inteligência e oportunismo, e, é claro, um toque de benção divina. Nos legou o ensinamento que ferramentas, quando bem utilizadas, convertem-se no motor para o triunfo. Assim sendo, vislumbro que, adequando ao contexto educacional presente e seguindo a parábola, a tecnologia é aos alunos o golpe que possibilitará derrubar o gigante Golias para a educação que é a pandemia e seus efeitos.

O uso de recursos tecnológicos na educação  propicia a aprendizagem e o acúmulo exponencial de informações e conhecimentos, ao tempo que é um instrumento ímpar para manutenção de relações interpessoais com colegas de classe, professores, alunos de outras instituições e países. Isso representa a ampliação ilimitada do fluxo de informações, literatura, pesquisas, resultados científicos e até mesmo reflexões acadêmicas relativas à teoria e à prática profissional. É possível pensar, a caminho do fim do primeiro quarto do século XXI, em um egresso de excelência sem ampla, permanente, sistêmica e universal utilização da tecnologia no dia-a-dia? Ademais da importante gama de interações que as redes sociais fornecem, o acesso e exploração de canais tecnológicos para fins profissionais, acadêmicos e científicos é primordial.

Entretanto, o que se vê ainda por parte de alunos e instituições universitárias é a baixa utilização das redes sociais para integração a assuntos de interesse da comunidade científica, limitando as ferramentas que a internet fornece ao lazer, quando o potencial das plataformas para desenvolvimento acadêmico-científico é inexplorado.

É possível pensar, a caminho do fim do primeiro quarto do século XXI, em um egresso de excelência sem ampla, permanente, sistêmica e universal utilização da tecnologia no dia-a-dia?

É de interesse aqui levantar a reflexão crítica, que vai direcionada a diretores, coordenadores, professores (comigo incluso) e alunos. Deve-se ampliar aos alunos a interação com profissionais, professores e pesquisadores de outras intuições e centros de pesquisas, tornando revistas e periódicos científicos uma referência bibliográfica obrigatória e permanente, onde ademais de atualidade e qualidade, os alunos poderiam manter relações profissionais, acadêmicas e científicas. Como resultado, o aperfeiçoamento profissional e científico evidenciariam a necessidade de uma ligação permanente entre educação e tecnologia. A experiência tem sido positiva entre os cursos da área de exatas – não há indício que nos leve a crer que não seria sucedido em outras áreas.

Há um crença geral de que estamos tecnologicamente adaptados ao momento, haja vista que mesmo durante a pandemia as aulas continuaram e professores e alunos compartilharam, em aulas gravadas ou interações simultâneas, as “salas de aula”. Não que não seja oportuno, mas reduzir a questão a tão pouco é ilusão. Os alunos foram diminuídos, novamente, ao papel de simples receptores de um ensino antigo, que se apresentou de modo diferente. O correto seria fazer uso dos recursos tecnológicos como meio de ensino e aprendizagem, um golpe contra a desatualização, o isolamento científico-profissional e falhas em comunicação. É propor trabalhos em equipe, palestras, seminários, debates digitais, convites a professores e pesquisadores estrangeiros para dialogar sobre assuntos relevantes ao ecossistema acadêmico e profissional.

É dessa maneira que se conquista o mundo tecnológico para se obter uma formação de excelência. A pandemia, que foi o Golias para a educação em 2020, será vencida e a dinamização do processo ensino-aprendizagem, elevando o protagonismo do aluno, é passo essencial. A proximidade do pós-pandemia é uma oportunidade ímpar para alterar o rumo, ofertando tecnologia às mãos de todos os Davi que estudam em instituições de ensino superior.

*Angel Rafael Mariño Castellanos é doutor em Direito pela Universidad de Oriente de Santiago de Cuba/Cuba (1996), revalidado em 2001 pela Universidade de São Paulo-USP/Brasil. Docente em nível de graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado em Universidades e Instituições de Ensino Superior Brasileiras e Estrangeiras. Autor de artigos, capítulos de livros e livros. Tem vasta experiência em administração universitária e no planejamento e desenvolvimento de instituições educacionais. E-mail: [email protected]

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