PERSPECTIVA DA MULHER ALAGOANA SOBRE A COVID-19

Acredito que muitas mulheres sabem que não existe nada melhor do que a construção de relações sociais saudáveis, fundamentadas em amor inteligente, apoio, elogios, diálogo, tranquilidade, generosidade, investimento em sonhos, reconhecimento etc. O atual momento, de crise mundial, nos faz repensar a vida em todas as dimensões citadas, só que dentro de uma nova realidade. Acredito ainda que a maioria das mulheres tem mantido o equilíbrio, dando continuidade a uma rotina doméstica já existente, com uma única diferença: a intensidade.

Minha rotina sempre foi muito dinâmica, divido-me entre ser mãe, dona de casa, tenho minhas atividades profissionais, tornei-me empreendedora no ramo de consultoria, dedico um tempo para cuidar da minha saúde, indo para a academia, e, no tempo livre, dedico-me às minhas leituras e meus louvores. Quando ligo a TV (o que tenho feito muito pouco nesses dias, confesso) vejo um mundo de informações as quais muitas vezes me confundem os pensamentos! Estamos vivenciando algo nunca visto e a sociedade sofre um impacto muito grande, porque não estava, e nem está, preparada para uma pausa tão longa.

Tenho acompanhado a rotina de algumas amigas e suas mudanças de vida em meio a essa quarentena e percebo como o tempo se tornou valioso. Estar dentro de casa nas 24 horas do dia, por tanto tempo, me faz refletir sobre como andamos atarefadas e de que maneira podemos administrar todas essas horas com atividades diferentes, geralmente coisas as quais gostamos de fazer, mas que, na correria cotidiana, não conseguimos realizar. Afinal, estamos tendo tempo para relaxar, pôr as séries em dia e brincar com nossos filhos, o que nunca é demais. Aproveite esse tempo para criar um hobby: cozinhe, dance, cante, estude, leia. Mudança de rotina é a palavra da vez. Comecei a me reinventar para poder ocupar o tempo, o tão precioso tempo que eu não tinha e que agora estou aprendendo a valorizar.

Não abordarei questões políticas nem econômicas que o país atravessa, mas quero falar sobre a mulher dentro desse contexto. Interessante que tenho visto famílias unidas, descobrindo novas maneiras de passar o tempo dentro de casa e isso está sendo incrível para o convívio familiar. Claro que o isolamento social nos deixa um pouco perturbados. Isso é normal, pois estamos acostumados com a correria do dia a dia e nem o corpo nem a mente estavam preparados para uma pausa tão longa. Porém, o que, de fato, me chamou a atenção foi a forma criativa com que estamos enfrentando tal situação, a flexibilidade em adaptar-se ao que a paralisação forçada tem proporcionado a nós.

Para mim, as mulheres são fantásticas, doam-se, amam, são altruístas e solidárias, éticas e fortes, longe do sexo frágil. Não é fácil organizar uma casa. Não é fácil educar um filho. Não é fácil se desafiar. Não é fácil direcionar nossos pensamentos e controlar nossas emoções tentando ordenar tudo. E sabe de uma coisa? Quando tudo isso passar, estarei mais envolvida comigo mesma, com meu filho, com meus pais, com meus amigos, com meu trabalho, com minha casa, com a minha saúde!

Mas, diante de tudo que já expus nesse texto, existe uma questão a qual tem sido fortemente discutida: a mulher moderna deixou de ser afetiva e sensível? A verdade é que as revistas, as mídias, as novelas, têm-nos apresentado uma mulher que lutou pela igualdade social, mas que hoje não é bem compreendida diante de um cenário ainda fortemente machista.

A ousadia feminina tem assustado o universo de forma surpreendente. A competência feminina pôde ser vista, de forma genial, nesse caos, porque desconheço tamanha garra, força, persistência, energia, eficiência etc. São qualidades e características dessa mulher moderna com as quais me identifico. E tenho muito orgulho de ser uma.

Nessa quarentena, tenho visto mulheres se redescobrindo, se reinventando, criando soluções estratégicas para não se prejudicar financeiramente, usando criatividade com seus filhos, compartilhando seus conhecimentos nas redes sociais, se desafiando diariamente. E está sendo incrível para o nosso aprendizado como seres humanos. Estamos saindo da caixinha do óbvio e aprendendo que somos muitos mais do que acreditamos ser.

Quando falo da mulher que se refez ao longo do tempo, refiro-me a todas as mulheres que aprenderam que ser uma mulher empoderada não é apenas ter um sorriso bonito ou ser boa nas artes culinárias, não tem a ver com um anel no dedo nem tampouco com seu guarda-roupa ou a quantidade de curtidas em suas mídias sociais. A melhor qualidade de uma mulher empoderada é a sua mente.

Em meio a tudo que estamos vivendo, que possamos ter a certeza de que nossa atitude segura mostrará o quanto aprendemos e o quanto podemos nos adaptar a qualquer situação. Que nossa autoestima seja perceptível sem que digamos nada e que o universo feminino, com seu jeito único, continue exalando uma beleza que vem de dentro. Mulheres, somos únicas!

* Vanessa Santos é Especialista em Gestão de Bibliotecas Públicas e Privadas, Bibliotecária-Documentalista no Colégio Santíssimo Senhor e Consultora em Gestão de Informações na Escola Cristo Redentor.

Instagram da autora: @vansilva_consultoria

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